Cidades

Caso Priscila: um crime que não pode ficar impune

IPATINGA – O violento, hediondo e injustificado crime que tirou a vida da enfermeira Priscila Cardoso, num ataque seguido de sequestro e morte por motivo torpe, sem dar à vítima chance de defesa, motivado pela maldade e pelo roubo, não pode ficar impune. E tudo indica, a considerar o estado do assassino ao chegar à UPA de Ipatinga, no sábado, para atendimento médico, que já está pagando. Nem o “tribunal do crime” tem tolerância com tamanha covardia. O bandido atacou uma pessoa que salva vidas, que atua na linha de frente e se expõe a riscos em plena pandemia – em uma de suas imagens, Priscila celebra o dia em que tomou a vacina -, que se dedicava com zelo ao que fazia e que teve a vida interrompida brusca e violentamente, de forma fria e desnecessária, por um bandido reincidente

ATACADO NA CADEIA

Reginaldo Ferreira de Souza, foi preso na sexta-feira (19) e precisou de atendimento médico neste sábado (20). Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, ele foi agredido por outros internos de unidade prisional com golpes de máquina de cortar cabelo.

O homem preso pela morte de Priscila Cardoso, enfermeira de 35 anos que foi encontrada morta neste sábado (20), precisou ser atendido na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ipatinga (MG) depois de ser encaminhado para o Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) da cidade.

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GOLPES

Em vídeo que circula nas redes sociais, Reginaldo Ferreira de Souza, de 49 anos, aparece com o rosto coberto por faixas após o atendimento médico, que foi confirmado pela Prefeitura de Ipatinga, responsável pela unidade.

O G1 procurou a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), que informou que o preso foi agredido por outros internos da unidade.

“Ao passar pelo setor de triagem e higienização, os detentos que realizam a raspagem do cabelo dos custodiados agrediram o recém-admitido com golpes de máquina de cortar cabelo. Ao perceber a confusão, os policiais penais intervieram imediatamente. Entretanto, Reginaldo recebeu cortes na cabeça”, disse o órgão, por meio de nota.

Ainda conforme a Sejusp, Reginaldo recebeu os primeiros socorros no Ceresp e, depois de receber atendimento médico na UPA, retornou para a unidade prisional, onde passa bem e se encontra em cela separada.

A Sejusp informou também que os policiais penais da unidade fizeram o Registro de Eventos de Defesa Social (Reds) e os presos que realizaram as agressões foram isolados e passarão pelo conselho disciplinar da unidade.

O G1 fez contato com a Polícia Civil para saber a respeito da situação, mas o órgão respondeu, por meio de nota, que “as investigações estão em andamento e outras informações serão divulgadas em momento oportuno”.

PRISÃO

O homem foi preso na última sexta-feira (19), em Guarapari, no Espírito Santo, próximo a casa de familiares. Segundo o delegado Alexsandro Caetano, ele não reagiu durante a prisão, confessou o crime e ainda indicou o local onde teria deixado o corpo da vítima.

Reginaldo Ferreira de Souza foi escoltado para Minas Gerais neste sábado (20). Ele chegou à Delegacia durante a tarde, sendo encaminhado ao Ceresp após ser ouvido. O atendimento médico ocorreu depois que ele foi para a unidade prisional.

O G1 tentou fazer contato com o advogado Rodrigo Márcio Carmo Silva, que responde pela defesa do preso, mas nossas ligações não foram atendidas.

O CRIME

Priscila Cardoso foi vista pela última vez na última segunda-feira (15), quando deixava o serviço em um posto de saúde de Santana do Paraíso, no Vale do Aço.

O desaparecimento da enfermeira foi registrado no dia seguinte. Colegas e familiares acionaram a Polícia Militar depois que ela não apareceu para trabalhar. Ao verificarem câmera de segurança próxima ao local de trabalho dela, os policiais encontraram imagem que mostrava um homem com a mão sob a camisa, aparentando estar armado, abordando a vítima.

O carro dela foi localizado na noite de terça-feira (16) em uma oficina em Teixeira de Freitas, na Bahia. O veículo estava em processo de desmanche e um mecânico de 36 anos foi preso, mas negou que tivesse envolvimento no desaparecimento de Priscila. Ele descreveu o homem que teria deixado o automóvel no local.

O suspeito foi localizado na sexta-feira (19), no Espírito Santo. Ao ser preso, ele confessou o crime e indicou onde teria deixado o corpo da vítima, que foi localizado neste sábado (20).

LUTO OFICIAL

Em nota publicada nas redes sociais, a Prefeitura de Santana do Paraíso manifestou pesar pela morte da enfermeira e diz que o município decretou luto oficial de três dias.

“A notícia da morte da nossa querida Priscila é uma dor irreparável para todos nós. A administração municipal, na pessoa do prefeito Bruno Morato, desde o início acompanhou o trabalho das autoridades policiais para que o crime fosse elucidado”, diz a nota.

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