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Secretária de Fazenda de Timóteo é presa acusada de exigir propina

TIMÓTEO – O grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) prendeu a Secretária Municipal de Fazenda de Timóteo, Maria Perpétuo Socorro Ribeiro Cotta, e a sobrinha dela, Eva Cristina Quaresma. As duas foram detidas na noite da última quarta-feira (23), no bairro Horto, em Ipatinga, quando tentavam extorquir um e

mpresário. A operação que culminou na prisão duas recebeu o nome de “Espórtula”, em alusão ao crime de concussão – quando o funcionário público ou agente político exige para si ou para outra pessoa, direta ou indiretamente, vantagem indevida.
As investigações apontaram que um núcleo criminoso operava o esquema de dentro da administração de Timóteo, onde agentes públicos e terceiros se utilizavam de informações privilegiadas conferidas por cargos ocupados, para “extorquir” empresários.

Na prática, o que ficou evidenciado, segundo o delegado de Polícia Civil Gilmaro Alves, foi que os recursos devidos pelo município aos prestadores de serviços só eram pagos mediante o pagamento de “gorjetas”.
“A funcionária pública tinha o pleno conhecimento

dos valores e quando seriam pagos. E ela tinha a possibilidade de postergar ou não o pagamento. Ela repassava as informações à sobrinha, que procurava os empresários alegando que se eles pagassem o valor de 10% sobre a dívida do município com o prestador, eles conseguiriam receber esses valores. Se não fizessem isso, os credores eram ameaçados de não receberem o pagamento devido”, explicou o delegado.

FLAGRANTE
Na noite de quarta-feira (23), por volta de 19h foi deflagrada a primeira fase da operação, na qual foi presa em flagrante Eva Cristina Quaresma, no momento em que recebia da vítima a quantia de R$ 2,5 mil. O valor, segundo as investigações, era exigido desde o dia anterior para que o empresário pudesse receber pelos serviços prestados à Prefeitura de Timóteo.

Ainda durante a operação foi constatado que Eva atuou a mando da tia, a secretária de Fazenda Maria Perpétuo Socorro Ribeiro Cotta, que foi presa na mesma ocasião. “A sobrinha confirmou que esteve na cidade de Ipatinga para buscar os R$ 2,5 mil do empresário (valor que foi apreendido). Ela disse ainda que este montante seria repassado à tia. A secretária negou as acusações. Mas no conjunto de

provas, nós podemos afirmar que ela (secretária) está envolvida nesta ação”, finalizou.
A operação “Espórtula” segue apurando possível envolvimento de outros agentes públicos e de demais danos à administração pública.

NOTA OFICIAL

A Prefeitura de Timóteo emitiu ontem uma nota oficial a respeito da prisão da secretária municipal de Fazenda, Maria Perpetua Ribeiro Cotta. O governo diz que foi cientificado pelo Delegado de Polícia, Dr. Gilmaro Alves Ferreira, do GAECO, que uma servidora do município foi detida na noite desta quarta-feira (23), depois de ter sido envolvida no depoimento de sua sobrinha, que fora presa na cidade de Ipatinga.

“O Delegado de Polícia do GAECO procurou a Administração Municipal na tarde desta quinta feira, 24, requerendo alguns documentos que foram prontamente apresentados. A Administração Municipal colocou-se à disposição do GAECO para que os trabalhos ocorram de forma a objetivar a devida apuração da realidade dos fatos”, diz a nota.

O comunicado diz ainda que “por medida de prevenção, exonerou do cargo a servidora investigada na operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), uma vez que a denúncia de concussão partiu de uma empresa fornecedora de serviços ao município”.
“Esclarece ainda – prossegue o documento – que a servidora possui mais de 30 (trinta) anos de serviços prestados ao Município, ocupando cargos de confiança em várias administrações”.

“O poder Executivo ressalta que todos os pagamentos realizados pelo município com os respectivos valores podem ser vistos e consultados no Portal da Transparência pelo site: www.timoteo.mg.gov.br”, diz a nota.
“Até o momento da prisão da servidora e de sua parente, a Administração Municipal não tinha qualquer conhecimento sobre o caso e reforça a tranquilidade em suas ações de transparência e zelo com o patrimônio público, aguardando que as investigações se concluam”, finaliza.


As dívidas do município com os prestadores de serviços só eram pagas mediante o pagamento de propinas


Gaeco preferiu não contabilizar o número de vítimas, enquanto as investigações acontecem

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