Ipatinga registra alto número de homicídios envolvendo menores
por Diário Popular
13/03/2010 00:00
IPATINGA - Estatísticas divulgadas ontem (12) pelo Conselho Municipal da Criança e do Adolescente informaram que o número de homicídios envolvendo menores tem aumentado significativamente no município. Durante todo o ano passado, foram registrados seis assassinatos de adolescentes, sendo que, somente nos últimos dois meses, foram verificados seis homicídios envolvendo menores, em bairros como Bom Jardim e Limoeiro. O perfil dos menores é de envolvimento com drogas e passagem pela polícia por cometimento de atos infracionais.
De acordo com o capitão Sérgio Renato, da Polícia Militar, a situação mais crítica é registrada no Bom Jardim e Esperança. Desde a quinta-feira (11), treze viaturas fizeram ronda nesses bairros para intensificar o combate à criminalidade.
Os menores assassinados chegaram a passar pelo Conselho Tutelar. Mas a falta de políticas públicas que atendam à demanda dificulta um encaminhamento eficaz para os menores. Os programas de medidas sócio-educativas para infratores não comporta a demanda. Os dois - o de liberdade assistida e prestação de serviços à comunidade - estão com as 60 vagas completas e há 30 adolescentes esperando. O Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp) só abriga os menores em casos de crimes muito graves. Na avaliação do CMDCA, a Justiça também fica amarrada na busca de soluções.
CIA
Uma das ações que devem ser tomadas pelo Conselho com o intuito de diminuir esse número é a intensificação no combate ao tráfico de drogas e a construção de um centro de medidas sócio-educativas, o Centro de Internação para Adolescente (CIA).
Leonardo Oliveira, do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, declara que medidas contra o tráfico de drogas devem ser buscadas, além da confecção de um diagnóstico sobre o motivo dessas execuções. "O tráfico de drogas aqui no município hoje é muito grande e tem que ter uma política de combate ao uso de drogas no município, seja de internação ou de prevenção, para o adolescente", disse o conselheiro.
O Conselho Municipal da Criança e do Adolescente nesse momento julga ser necessário realizar uma política conjunta com os órgãos de proteção aos jovens. A principal demanda é a construção do CIA. "Ainda não possuímos no município um centro para o menor. Acredito que atenuaria essa situação. Acreditamos que a patrulha escolar é uma operação de prevenção, mas queremos trabalhar, ainda mais, a política pública nessa ação".
O Conselho afirma já ter tentado várias ações juntamente com a iniciativa privada e pública para a concretização do CIA. Segundo o Conselho, técnicos da Secretaria de Estado e Defesa Social aprovaram, preliminarmente, duas áreas na Região Metropolitana do Vale do Aço: uma delas na saída de Ipatinga, em direção a Caratinga (onde funcionava o antigo Ceasa), e outra pertencente à Cenibra, em Ipaba. A empresa sinalizou positivamente com a doação do terreno para o projeto. Para continuar a mobilização pelo CIA, o Conselho aguarda uma manifestação da Prefeitura de Ipatinga sobre a primeira área.
Delegado regional quer levantar bandeira do CIA
IPATINGA - A posse oficial do novo chefe da 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil (DRPC), com sede no Centro de Ipatinga, João Xingó, de Oliveira, está marcada para o próximo dia 22, às 15h. Porém, o delegado disse que a partir de segunda-feira (15) já estará à frente dos trabalhos da Polícia Civil no Vale do Aço. Sua prioridade é mover ações para a implantação do Centro de Internação para Menores Infratores (CIA).
De acordo com o delegado, o principal objetivo é dar continuidade ao "bom trabalho" na área de segurança pública realizado pelo delegado Leonardo Vieira, nomeado para assumir o comando da Polícia Civil em Contagem, e estimular parcerias com a Polícia Militar, Poder Judiciário e Executivo. "Hoje em dia, se não houver também uma boa relação com a sociedade, o trabalho também não flui, assim como recursos para a realização das ideias", afirma.
João Xingó acrescenta ainda que outro problema enfrentado é quanto à quantidade de menores envolvidos com o tráfico de drogas. "Nosso principal problema é este porque cometem crimes e não temos onde encaminhá-los", declara.