Bateria dos Bocas Brancas quer a nota 10
por Diário Popular
07/02/2010 01:00
TIMÓTEO - Na última reportagem sobre as Escolas de Samba de Timóteo, você vai conhecer um pouco da história dos Bocas Brancas, a caçulinha da cidade - fundada um mês depois da Vai Quem Quer.
A Escola Bocas Brancas nasceu em 30 de dezembro de 1979. Vinte e um dias antes, tinha chegado ao mundo André Faioli, filho de Mestre Mingo, um dos maiores Mestres de Bateria que Timóteo já teve.
O nascimento próximo à criação dos Bocas Brancas, a íntima relação do pai com a bateria e a admiração que foi crescendo pouco a pouco fizeram de André um contra-mestre mirim durante a infância. Hoje ele é o diretor da bateria. "Lá em casa ficava um quartinho cheio de instrumentos e eu cresci vendo meu pai consertando instrumentos. Não tive como fugir disso. É um amor muito grande pelos Bocas Brancas e um orgulho maior ainda de ser filho do Mestre Mingo", relata André.
Domingos Costa, conhecido como Mestre Mingo, foi quem escolheu o nome da escola. Durante sete anos, a bateria comandada por ele recebeu nota 10. E é neste panorama de conquistas que André se espelha para colocar na avenida pouco mais de 60 ritmistas. "Nossa bateria tem poucos ritmistas, mas todos tocam muito bem. Primamos pela qualidade para termos as melhores notas e este ano a bateria dos Bocas Brancas vai ser novamente 10. Todos são ritmistas muito preparados e a bateria vai arrepiar a Alameda 31 de Outubro quando começar a tocar", antecipa André.
Humberto Abreu é um grande admirador e conhecedor dos Bocas Brancas. Apesar de nunca ter entrado na avenida, sempre esteve nos bastidores. "Eu tava com saudade daquele envolvimento quase apaixonado pela escola, a gente via a coisa acontecer do nada. Num dia estava um monte de ferro sobre rodas no barracão; dias depois se tornava uma alegoria enorme. A participação era muito grande, era coisa de entrega, e a gente hoje está vendo isso novamente acontecendo. Isso é maravilhoso", lembra Humberto.
Grandes pessoas fizeram parte da história da escola. Nos anos 80, as senhoras Ana Araújo, Vilma Sperancini e dona Eunice, e os senhores Otávio Sperancini Rogério Cabral, Nelson Pina e Manoel Tomé. Sem falar no "Seu Jacinto", um dos foliões mais tradicionais da cidade, que se tornou símbolo dos Bocas Brancas.
E é pra comemorar toda essa história que o enredo dos Bocas Brancas celebra seus 30 anos e homenageia as escolas, blocos caricatos e também o prefeito Geraldo Hilário. O samba é uma composição de Fernando Muniz, sambista e membro da Mocidade Independente de Padre Miguel, do Rio de Janeiro. Apesar de o enredo vir da Mocidade, a madrinha dos Bocas Brancas é a Portela. Inclusive é dela que vem as cores azul e branco; acrescentando-se o vermelho, formam-se as cores dos Bocas.
A escola conta com 60 músicos na bateria, 30 baianas, que compõem o grupo de 500 integrantes. Segundo seu presidente, Leonardo Mayrink, a escola já está trabalhando para o carnaval de 2011. ?Uma série de melhorias precisa ser feita na quadra, que antes funcionava como espaço para eventos e shows. O local, que é de fácil acesso no centro da cidade, vai passar por reformas e pretendemos durante todo ano promover ensaios, como já é feito nas escolas de samba de São Paulo e Rio de Janeiro?, relata Leonardo.
Na história dos carnavais de Timóteo, cada escola tem a sua particularidade. No caso dos Bocas Brancas, a bateria é o ponto alto, seguido das passistas que prometem dar um show à parte.
Para quem deseja desfilar, basta participar dos ensaios diários na quadra da escola, sempre às 19h30. A quadra fica na rua 20 de Novembro, 285, Centro-norte, próximo ao camelódromo. Informações e inscrições pelo telefone 8585-1309.
CARNAVAL
O folião interessado em desfilar na Alameda 31 de Outubro pode se inscrever em uma das escolas de samba ou blocos caricatos e carnavalescos durante a programação do Circuito, no QG Oficial ou pelo site institucional www.timoteo.mg.gov.br/carnaval2010. Mais informações pelo telefone (31) 3847-4761 - Departamento de Cultura. (Janaína Oliveira)